Friday, July 24, 2009

Il m'aime.

Dear Watson,

eu posso escrever infinitas linhas sobre como sempre morri toda vez que ele falava em francês comigo e quando seus azuis ficavam encarando os meus castanhos, silenciosamente. E de quando ele perguntava como é que a gente vai se ver de novo e que já era eu ter aprendido que deveria me mudar e seguir junto com ele.

Aí, depois passa um tempo e ele vem com uma história de me visitar onde quer que eu esteja e de viver onde vivo. E quando você pára para pensar, se dá conta de que ele te ama. É de um jeito esquisito, fulminante e meio "mover-montanhas", mas é assim mesmo. Ohmygod, il m'aime. Beaucoup. Mais j'ai peur de aimer comme ça.



ps: o meu pára tem acento porque ainda não engoli a maldita reforma.

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Friday, April 03, 2009

Inexplicável

Dear Watson,

assim, eu morro aos pouquinhos. Jurei que não caía mais no lero-lero, mas tem jeito? Tem não. É muita altura, muito azul, muito erre puxado tentando falar meu nome. É de uma maneira louca, imatura, inexplicável.

É, meu caro. Porque gosto de certo, do sincero, do que dá futuro, do planejado, do educado, do Mark Darcy. No fim esqueço isso tudo e me jogo.


Inexplicavelmente.

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Sunday, August 31, 2008

como faz para arrepiar?

como faz para arrepiar?
somente Deus pra entender.

digo, porque a primeira coisa que a gente quer é cortar tudo de vez, falar que nunca mais, adieu, pronto, fim e ponto. Mas nada disso. Aparece, puxa conversa, mostra a cara safada de levar tapa e vem de mansinho. E eu que me conheço e sei das inconstâncias naturais, nem me arrisco a prever o futuro.
Futuro? Que nada, mané. Dear Watson sabe que a gente sabe que eu sei que nem há fim das contas para eu dizer que sei alguma coisa.

You know, man. Et vous savez que o jeito é continuar chutando aquela pedra no meio da rua, como quem não quer nada. Sinceramente, eu não quero.

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Tuesday, March 04, 2008

Je ne suis pas ta chose


Dear Watson,
Ver assim de surpresa é estranho. Aliás, estranho não é. É bem conhecido, milimetricamente. Mesmo assim ainda causa essa queimação no estômago quando a gente vê de longe e quer correr atrás, arrastar pelos cabelos, bater, chutar, bater, estapear, estapear, estapear até ouvir o som que a mão na cara provoca.
A sensatez impede – oh, intrusa, voltaste – e a gente dá meia volta, compra a bela dupla café e pão de queijo e segue porque a chuva vem aí.

(embora a gente saiba que tomar café foi algo bem maior que cafeína ou que um acompanhamento para os cigarros da siesta)



J’aurais voulu être ta muse
Ton idole ou ta dulcinée
Mais je serai la porte close
La bague qu’on oublie de porter
La photo qu’on a déchirée
Voilà ou nous mène ton petit
Je ne suis pas ta chose


(Je ne suis pas ta chose - Camille)

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Tuesday, August 14, 2007

Je parle français

É uma história que tinha muitas letrinhas, sotaque, olhos azuis grandes, sorriso amarelo de cigarro, gateaux de manhã, Philippe Bineau est suisse, antropologia, suspiros, mais sorrisos e era tudo platônico e escondido – na verdade, era escancarado para mim, mas era escondido para o resto do mundo.
Aí, veio a aliança intrusa enorme na mão esquerda dele, Philippe Bineau ficou no outro semestre avec sa Suisse. E apareceram os dois filhos lindos, que são pequenos sóis e brilham. Por mais que tenha ficado tudo escuro e sem luz com o anel, quando as crianças chegaram todos os sorrisos sorriram juntos. Então é possível entender finalmente porque é melhor ficar tudo aqui dentro e guardar aquela cena em que a pequena menina corre para o colo dele e abraça; e depois entra o menino que é igual a ele e consegue deixar o sorriso amarelado de cigarro ainda mais lindo. Peguei minha pasta, aurevoir de orelha a orelha, e vamos logo porque o ônibus vai vir cheio se eu demorar.

E foi quando encostei a cabeça no vidro da janela, a W3 sul indo embora e respirei feliz.



(o conto fica aqui salvo no word. aqui temos o resumo dele.)

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